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sábado, 18 de junho de 2011

Artigo

A desmoralização social da carreira docente

VALÉRIO ARCARY, historiador, professor do Cefet/SP e membro do conselho editorial da revista Outubro

Qualquer avaliação honesta da situação das redes de ensino público estadual e municipal revela que a educação contemporânea no Brasil, infelizmente, não é satisfatória. Mesmo procurando encarar a situação dramática com a máxima sobriedade, é incontornável verificar que o quadro é desolador. A escolaridade média da população com 15 anos ou mais permanece inferior a oito anos, e é de quatro entre os 20% mais pobres, porém, é superior a dez entre os 20% mais ricos 1. É verdade que o Brasil em 1980 era um país culturalmente primitivo que recém completava a transição histórica de uma sociedade rural. Mas, ainda assim, em trinta anos avançamos apenas três anos na escolaridade média.

São muitos, felizmente, os indicadores disponíveis para aferir a realidade educacional. Reconhecer as dificuldades tais como elas são é um primeiro passo para poder ter um diagnóstico aproximativo. A Unesco, por exemplo, realiza uma pesquisa que enfoca as habilidades dominadas pelos alunos de 15 anos, o que corresponde aos oitos anos do ensino fundamental 2. O Pisa (Programa Internacional de avaliação de Estudantes) é um projeto de avaliação comparada. As informações são oficiais porque são os governos que devem oferecer os dados. A pesquisa considera os países membros da OCDE além da Argentina, Colômbia e Uruguai, entre outros, somando 57 países.

Em uma avaliação realizada em 2006, considerando as áreas de Leitura, Matemática e Ciências o Brasil apresentou desempenho muito abaixo da média 3. No caso de Ciências, o Brasil teve mais de 40% dos estudantes situados no nível mais baixo de desempenho. Em Matemática, a posição do Brasil foi muito desfavorável, equiparando-se à da Colômbia e sendo melhor apenas que a da Tunísia ou Quirguistão. Em leitura, 40% dos estudantes avaliados no Brasil, assim como na Indonésia, México e Tailândia, mostram níveis de letramento equivalentes aos alunos que se encontram no meio da educação primária nos países da OCDE. Ficamos entre os dez países com pior desempenho.

As razões identificadas para esta crise são variadas. É verdade que problemas complexos têm muitas determinações. Entre os muitos processos que explicam a decadência do ensino público, um dos mais significativos, senão o mais devastador, foi a queda do salário médio docente a partir, sobretudo, dos anos oitenta. Tão grande foi a queda do salário dos professores que, em 2008, como medida de emergência, foi criado um piso nacional. Os professores das escolas públicas passaram a ter a garantia de não ganhar abaixo de R$ 950,00, somados aí o vencimento básico (salário) e as gratificações e vantagens. Se considerarmos como referência o rendimento médio real dos trabalhadores, apurado em dezembro de 2010 o valor foi de R$ 1.515,10 4. Em outras palavras, o piso nacional é inferior, apesar da exigência mínima de uma escolaridade que precisa ser o dobro da escolaridade média nacional.

Já o salário médio nacional dos professores iniciantes na carreira com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais, incluindo as gratificações, antes dos descontos, foi R$1.777,66 nas redes estaduais de ensino no início de 2010, segundo o Ministério da Educação. Importante considerar que o ensino primário foi municipalizado e incontáveis prefeituras remuneram muito menos. O melhor salário foi o do Distrito Federal, R$3.227,87. O do Rio Grande do Sul foi o quinto pior, R$1.269,56 5. Pior que o Rio Grande do Sul estão somente a Paraíba com R$ 1.243,09, o Rio Grande do Norte com R$ 1.157,33, Goiás com R$ 1.084,00, e o lanterninha Pernambuco com R$ 1016,00. A pior média salarial do país corresponde, surpreendentemente, à região sul: R$ 1.477,28. No Nordeste era de R$ 1.560,73. No centro-oeste de R$ 2.235,59. No norte de R$ 2.109,68. No sudeste de R$ 1.697,41.

A média nacional estabelece o salário docente das redes estaduais em três salários mínimos e meio para contrato de 40 horas. Trinta anos atrás, ainda era possível ingressar na carreira em alguns Estados com salário equivalente a dez salários mínimos. Se fizermos comparações com os salários docentes de países em estágio de desenvolvimento equivalente ao brasileiro as conclusões serão igualmente escandalosas. Quando examinados os salários dos professores do ensino médio, em estudo da Unesco, sobre 31 países, há somente sete que pagam salários mais baixos do que o Brasil, em um total de 38 6. Não deveria, portanto, surpreender ninguém que os professores se vejam obrigados a cumprir jornadas de trabalho esmagadoras, e que a overdose de trabalho comprometa o ensino e destrua a sua saúde.

O que é a degradação social de uma categoria? Na história do capitalismo, várias categorias passaram em diferentes momentos por elevação do seu estatuto profissional ou por destruição. Houve uma época no Brasil em que os “reis” da classe operária eram os ferramenteiros: nada tinha maior dignidade, porque eram aqueles que dominavam plenamente o trabalho no metal, conseguiam manipular as ferramentas mais complexas e consertar as máquinas. Séculos antes, na Europa, foram os marceneiros, os tapeceiros e na maioria das sociedades os mineiros foram bem pagos. Houve períodos históricos na Inglaterra – porque a aristocracia era pomposa - em que os alfaiates foram excepcionalmente bem remunerados. Na França, segundo alguns historiadores, os cozinheiros. Houve fases do capitalismo em que o estatuto do trabalho manual, associada a certas profissões, foi maior ou menor.

A carreira docente mergulhou nos últimos vinte e cinco anos numa profunda ruína. Há, com razão, um ressentimento social mais do que justo entre os professores. A escola pública entrou em decadência e a profissão foi, economicamente, desmoralizada, e socialmente desqualificada, inclusive, diante dos estudantes.

Os professores foram desqualificados diante da sociedade. O sindicalismo dos professores, uma das categorias mais organizadas e combativas, foi construído como resistência a essa destruição das condições materiais de vida. Reduzidos às condições de penúria, os professores se sentem vexados. Este processo foi uma das expressões da crise crônica do capitalismo. Depois do esgotamento da ditadura, simultaneamente à construção do regime democrático liberal, o capitalismo brasileiro parou de crescer, mergulhou numa longa estagnação. O Estado passou a ser, em primeiríssimo lugar, um instrumento para a acumulação de capital rentista. Isso significa que os serviços públicos foram completamente desqualificados.

Dentro dos serviços públicos, contudo, há diferenças de grau. As proporções têm importância: a segurança pública está ameaçada e a justiça continua muito lenta e inacessível, mas o Estado não deixou de construir mais e mais presídios, nem os salários do judiciário se desvalorizaram como os da educação; a saúde pública está em crise, mas isso não impediu que programas importantes, e relativamente caros, como variadas campanhas de vacinação, ou até a distribuição do coquetel para os soropositivos de HIV, fossem preservados. Entre todos os serviços, o mais vulnerável foi a educação, porque a sua privatização foi devastadora. Isso levou os professores a procurarem mecanismos de luta individual e coletiva para sobreviverem.

Há formas mais organizadas de resistência, como as greves, e formas mais atomizadas, como a abstenção ao trabalho. Não é um exagero dizer que o movimento sindical dos professores ensaiou quase todos os tipos de greves possíveis. Greves com e sem reposição de aulas. Greves de um dia e greves de duas, dez, quatorze, até vinte semanas. Greves com ocupação de prédios públicos. Greves com marchas.

Conhecemos, também, muitas e variadas formas de resistência individual: a migração das capitais dos Estados para o interior onde a vida é mais barata; os cursos de administração escolar para concursos de diretor e supervisor; transferências para outras funções, como cargos em delegacias de ensino e bibliotecas. E, também, a ausência. Tivemos taxas de absenteísmo, de falta ao trabalho, em alguns anos, inverossímeis.

Não obstante as desmoralizações individuais, o mais impressionante, se considerarmos futuro da educação brasileira, é valente resistência dos professores com suas lutas coletivas. Foram e permanecem uma inspiração para o povo brasileiro.


1 Os dados sobre desigualdades sociais em educação mostram, por exemplo, que, enquanto os 20% mais ricos da população estudam em média 10,3 anos, os 20% mais pobres tem média de 4,7 anos, com diferença superior a cinco anos e meio de estudo entre ricos e pobres. Os dados indicam que os avanços têm sido ínfimos. Por exemplo, a média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais de idade se elevou apenas de 7,0 anos em 2005 para 7,1 anos em 2006. Wegrzynovski, Ricardo Ainda vítima das iniqüidades
in http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3962
Consulta em 21/02/2011.

2 Informações sobre o PISA podem ser procuradas em:
http://www.unesco.org/new/en/unesco/
Consulta em 21/02/2011

3 O relatório citado organiza os dados de 2006, e estão disponíveis em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001899/189923por.pdf
Consulta em 19/02/2011

4 A pesquisa mensal do IBGE só é realizada em algumas regiões metropolitanas. Não há uma base de dados disponível para aferir o salário médio nacional. Veja o link aqui Consulta em 19/02/2011

5 Uma pesquisa completa sobre os salários iniciais em todos os Estados pode ser encontrada em estudo:
http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf
Consulta em 14/02/2011

6 http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/unesco.htm

Publicado originalmente na revista do CEPRS

sábado, 7 de novembro de 2009

Machismo

Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula
Universidade diz que atitude provocativa da aluna resultou em reação coletiva de defesa do ambiente escolar
SÃO PAULO - A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas neste domingo, 8, que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto. O episódio ganhou repercussão na internet após vídeos do tumulto serem postados no 'You Tube'.

Veja também:
Blog do Guterman: Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima

No anúncio publicitário, entitulado ' A educação se faz com atitude e não com complacência' a universidade diz que tomou a decisão após uma sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados. Para a Uniban, Geisy provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade.
A universidade afirma ainda que foi constatado que "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". A Uniban também criticou o comportamento da imprensa na cobertura do caso. Segundo a universidade, a mídia perdeu a oportunidade de contribuir para um debate 'sério e equilibrado' sobra ética, juventude e universidade.
Segundo as cenas e os depoimentos de presentes, o tumulto começou quando a aluna subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar. Ela ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade.
De acordo com a estudante, em entrevista concedida ao estadao.com.br no último dia 30, o episódio começou "como uma grande brincadeira". Vestida para uma festa que iria naquele noite, ela conta que no início arrancou muitos elogios com seu visual, mas a situação aos poucos inverteu. No intervalo das aulas, um "verdadeiro coral ridículo de gritos de puta" a acompanhou até que deixasse o prédio.
Fonte: Site do jornal O Estado de S. Paulo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Unificação Conlutas/Intersindical

Entidades sindicais realizam seminário para debater unificação de centrais

No último dia 12, sábado, ocorreu em Natal (RN) um importante debate para o futuro da luta dos trabalhadores no país. O Seminário de Reorganização do Movimento Sindical, convocado pela Conlutas, Intersindical, Sindsaúde, Sindbancários, ANEL, Sinte-Umarizal/Ceará-Mirim e outras entidades, reuniu cerca de 120 trabalhadores e dirigentes sindicais, no auditório do Sinpol, para discuitir a construção de uma entidade unitária para a luta da classe trabalhadora no Brasil. O encontro é parte de muitos outros que estão ocorrendo pelo país, com o objetivo de preparar um seminário nacional de reorganização, marcado para novembro desse ano.


Pela manhã, os debatedores discutiram a crise econômica do capitalismo e a crise de direção do movimento sindical. À tarde, o debate se aprofundou sobre a necessidade de unificação da Conlutas com a Intersindical. José Maria de Almeida (Conlutas) e Edson Carneiro "Índio" (Intersindical) discutiram o caráter de uma ferramenta unitária de luta dos trabalhadores, discordando principalmente no ponto sobre quem a nova entidade deveria organizar. Índio defendeu que a entidade fosse apenas uma central sindical. Já Zé Maria argumentou que é preciso organizar todos os trabalhadores do país e que esta central deve ser sindical, popular e estudantil.



Durante o intervalo do seminário, Zé Maria falou sobre a importância do debate e sobre a necessidade de unificação da Conlutas com a Intersindical. Veja o vídeo.




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Educação

Oposição Unificada convoca plenária para discutir situação da educação no RN
A Oposição Unificada decidiu convocar, para o próximo dia 29 de agosto, uma plenária com todos os membros do grupo e demais trabalhadores da educação no Rio Grande do Norte. A reunião ocorrerá na sede da Conlutas, na Av. Rio Branco, 762, centro de Natal, a partir das 15 horas. O objetivo da plenária é discutir a situação política da educação, organização, finanças e o Encontro Estadual de Educação da Oposição Unificada.
De acordo com o professor Ilo Fernandes, a ideia também é redobrar os esforços da Oposição na luta contra a direção governista do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (SINTE/RN). "Precisamos manter viva a chama dos ideais da Oposição Unificada e dar um basta na descrença e falta de esperança que assola nossa categoria.", afirmou.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

14 de agosto: dia nacional de luta

Centrais sindicais e movimentos sociais organizam jornada de lutas em Natal
Protestos vão preparar o clima para o grande ato do dia 14 de agosto
As centrais sindicais e os movimentos sociais mais importantes do país vão realizar nesta semana, em Natal, uma jornada de protestos que culminará no grande ato do dia 14 de agosto. A ideia é preparar o clima de lutas no Rio Grande do Norte, unificando diversas categorias de trabalhadores para enfrentar as demissões, a redução salarial e os governos.
O MST, a Conlutas, a Intersindical e a Assembleia Popular organizaram várias manifestações e debates que ocorrem entre os dias 11 e 13. Muitas categorias já começaram suas campanhas salariais e estão dispostas a unificar as lutas para combater os patrões e os efeitos da crise econômica. A preparação para o dia 14 não envolve apenas a cidade de Natal. Os trabalhadores de municípios vizinhos também estão se mobilizando, como é o caso dos servidores da educação de Ceará-Mirim, em greve desde o dia 22 de julho.
Alexandre Guedes, um dos dirigentes da Conlutas no Rio Grande do Norte, avalia a construção dessa jornada de protestos como um momento muito importante para a luta dos trabalhadores. “Essa jornada é fundamental para os trabalhadores. É parte de uma ação em resposta à crise econômica, mas também é contra os responsáveis por ela. Além das empresas e bancos, é preciso enfrentar os administradores do capitalismo, como é o caso do governo Lula”, defendeu.

terça-feira, 21 de abril de 2009

SEMINÁRIO DA EDUCAÇÃO - OPOSIÇÃO AO SINTE RN

SEMINÁRIO DA EDUCAÇÃO - OPOSIÇÃO AO SINTE RN

CORRENTE REVOLUCIONÁRIA - Para construção e debate do Seminário e da chapa de oposição ao Sinte -RN

A DESINTEGRAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA

É uma constatação de que o Estado capitalista vem destruindo o sistema educacional público brasileiro. A função original da educação era a de qualificar os trabalhadores como força produtiva a ser explorada e de elevar a cultura social de acordo com os interesses históricos da burguesia de evoluir e assegurar seu sistema de exploração. Características estas que correspondem ao domínio burguês dos meios de produção e do Estado, superestrutura política, ideológica e jurídica.O ensino e a escolaridade de uma determinada sociedade estão diretamente relacionados ao desenvolvimento das relações capitalistas de produção, ou seja, o desenvolvimento social da sociedade capitalista, sempre desigual e combinado, reflete as contradições básicas entre as forças produtivas (força de trabalho e máquinas) e as relações capitalistas de exploração do trabalho e apropriação privada de riquezas condicionadas pela propriedade burguesa dos meios de produção.Um exemplo claro das contradições e decadência do ensino público no nosso país se expressa pela negação do acesso a escola das sofisticadas inovações tecnológicas e além disso, o alcance social destas, em um mundo de pobres e miseráveis permanece inaplicáveis. A escola já não é tão importante para os interesses da burguesia. Cada vez mais, aos trabalhadores empobrecidos é negado acesso à escolarização. Para a maioria dos Estados e governos, já não tem tanta prioridade.A escola pública e gratuita de todo o país está destinada a uma camada dos trabalhadores assalariados. Por isso ela reproduz, de certa forma, os desequilíbrios regionais e todos os males da crise social(a violência nas escolas). As diferenças do ensino nas distintas regiões, entre Norte, Nordeste e Sudeste espelham a estrutura econômica e as gritantes desigualdades sociais. A grande maioria dos estudantes não chega a se matricular no Ensino Médio e uma ultra minoria dos que terminam o Ensino Médio chega até às universidades (3º grau).Um fator preponderante na destruição do ensino público brasileiro foi a intervenção dos organismos internacionais como: FMI, através do Banco Mundial, BIRD e outros. A partir da reforma dos anos 90, orientada politicamente na Conferência de Educação para Todos, com a participação dos dez países pobres mais populosos do mundo(Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e Brasil) esta reunião foi promovida pelos países imperialistas, onde com fraseologia demagógica reafirmaram o compromisso de erradicar o analfabetismo e garantir a educação básica a todos.A aplicação direta dessa reforma no sistema de ensino, longe de erradicar o analfabetismo, sucateou e privatizou em parte a educação brasileira da educação básica ao ensino médio e se estendeu ao ensino superior. Para a educação básica e ensino médio, as reformas se intensificaram no interior das escolas com conteúdos(PCN’s) e ideologias neoliberais. Trazendo para a educação, a competitividade, o individualismo, deslocando a escola completamente do seu foco principal que é; formar intelectualmente as crianças e jovens, construindo concepções sociais e conhecimentos através dos conteúdos universais; Desvalorizou o trabalho do professor e funcionário de escola enquanto mão-de-obra da educação pública. Destruindo primeiro a carreira destes, e não houve uma formação continuada, e inclusive, a rede municipal implementou uma Avaliação de Desempenho que tem caráter punitivo, coercitivo e discriminatório, sem falar que em nada, avalia o desempenho profissional do professor. E no Estado, as orientações caminham para tal e igual.Há também outro processo que vem desintegrando a educação: é a substituição de trabalhadores por outros menos qualificados e em condições precárias de trabalhos como se encontram atualmente as escolas estaduais, lotadas de “estagiários” e a rede municipal avança um bom percentual nas escolas com os professores dos processos seletivos. Mais dois elementos que clarificam a reforma neoliberal: ou o fechamento de salas de aulas e/ou a superlotação destas, turmas chegando a 60 alunos. O segundo problema foi o fechamento das maiorias das bibliotecas e o desaparecimento do livro da escola, enquanto fonte e instrumento do conhecimento. Pois, as bibliotecas deveriam ser o centro vivo das escolas e não são. Com o sucateamento das condições estruturais da escola: a falta de professor e funcionário, a falta de livros e sem acesso a tecnologia e os trabalhadores com os salários aviltantes, como caracterizar a escola pública que temos? O que esta ensina? E qual sua função social? Devemos refletir sobre estes questionamentos.
QUAL A DEFESA DE ESCOLA QUE QUEREMOS CONSTRUIR? A ESCOLA VINCULADA À PRODUÇÃO SOCIAL: A ESCOLA CIENTÍFICA
A escola científica baseia-se na concepção materialista e no método dialético. O conhecimento acumulado, expressão e propulsor do desenvolvimento das forças produtivas, da revelação das leis de funcionamento da natureza e da sociedade, comprova a validade do método materialista, dialético e histórico. Esse pressuposto demonstra que é a existência que determina a consciência e não o contrário. Essa premissa materialista, elemento fundamental da produção científica, não faz parte da escola de diretrizes neoliberal, ou seja, a escola da servidão capitalista.É tarefa de toda classe explorada compreender e defender o programa que a direcione para uma ruptura com o sistema de exploração capitalista, começando pela defesa de uma plataforma educacional. Neste sentido, a defesa de extinção de toda rede privada de ensino(confessional e empresarial) e a estatização de todos os níveis de ensino, sob o controle dos trabalhadores, torna-se uma bandeira na ordem do dia em virtude da acelerada privatização deste; a defesa da escola laica. Contra a toda a ingerência da religião nas unidades escolares. Defesa da escola científica, contra o obscurantismo religioso; autonomia integral da educação. Eleição direta de todos os órgãos educativos e revogabilidade de mandato. Rediscutir o que são Conselhos de Escola e propor outra formulação (pedagógica); unidade entre a teoria e a prática. Uma escola onde os alunos permaneçam um período na produção e outro na escola; que a formação continuada do professor seja um direito, portanto é o Estado quem deve custear; fim dos serviços precários na educação, pela abertura de concursos públicos para funcionário e professor; pela redução da jornada de trabalho e em defesa de um Piso nacional salarial para todos os trabalhadores em educação, se contrapondo ao piso do governo Lula de $R 950,00 ( e agora proporcional e não pago aos professores).
Este texto, pretende contribuir para o debate que será muito importante na formação de uma Chapa de Oposição e esta deverá ter claro que concepção de Escola defenderá.

SEMINÁRIO DA EDUCAÇÃO - OPOSIÇÃO AO SINTE RN

ADAPTAÇÃO DOS SINDICATOS AO ESTADO BURGUÊS

CORRENTE REVOLUCIONÁRIA

Na questão sindical, destacamos a atualização do marxismo através de fragmentos de um texto de Trotsky, que coloca de forma conceitual a adaptação e degeneração dos sindicatos, como parte da decadência do sistema de produção capitalista.
OS SINDICATOS na ÉPOCA da DECADÊNCIA IMPERIALISTA
“Há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo; sua aproximação e sua vinculação cada vez mais estreitas com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, social-democratas, comunistas e anarquistas. Somente este fato demonstra que a tendência a “estreitar vínculos” não é própria dessa ou daquela doutrina, mas provém de condições sociais comuns a todos os sindicatos”.
“Os burocratas fazem todo o possível, em palavras e nos fatos para demonstrar ao estado “democrático” até que ponto são indispensáveis e dignos de confiança em tempos de paz e, especialmente em tempos de guerra”.
PALAVRAS DE ORDEM PELA INDEPENDÊNCIA DOS SINDICATOS
“À primeira vista, poder-se-ia deduzir do que foi dito que os sindicatos deixam de existir enquanto tal na época imperialista. Quase não dão espaço à democracia operária que, nos bons tempos em reinava o livre comércio, constituía a essência da vida interna das organizações operária. A primeira palavra de ordem dessa luta é: Independência total e incondicional dos sindicatos em relação ao Estado capitalista. A segunda é: democracia sindical”.
“Em outras palavras, os sindicatos de nosso tempo podem ou servir como ferramentas secundárias do capitalismo imperialista para subornar e disciplinar os operários e para impedir a revolução ou, ao contrário, transformar-se nas ferramentas do movimento revolucionário do proletariado.”
“A neutralidade dos sindicatos é total e irreversivelmente coisa do passado. Desapareceu junto com a livre democracia burguesa”.
NECESSIDADE DO TRABALHO DENTRO DOS SINDICATOS
“De tudo que foi dito, depreende-se claramente que, apesar da degeneração progressiva dos sindicatos e de seus vínculos cada vez mais estreitos com o Estado imperialista, o trabalho neles não só não perdeu sua importância, como é ainda maior para todo partido revolucionário. Trata-se essencialmente de lutar para ganhar influência sobre a classe operária. Toda organização, todo partido, toda fração que se permita ter uma posição ultimatista com respeito aos sindicatos, o que implica voltar as costas à classe operária, somente por não estar de acordo com sua organização, está destinada a acabar. E é bom frisar que merece acabar.” (1978: 101- 104)
É nesta caracterização de sindicato de Trotsky que nós analisamos o papel dos sindicatos e de suas direções em amortecer as lutas sindicais e se adaptarem ao Estado e governos capitalistas, trazendo para o movimento sindical a defesa das políticas dos governos. Suas relações com os governos e Estados tornam-se tão estreitas que diretores dos sindicatos e Centrais sindicais assumem cargos nestes . Temos como exemplos : A CUT, CTB, CNTE e Sinte e outros sindicatos.
Outro elemento fundamental, dessa degeneração é o comportamento das direções sindicais que se ausentam completamente da base da categoria, seus pensamentos e ações são iguais aos do governo e implementam no sindicato política burguesa: Tomamos como exemplo o Sinte: primeiro, usam todo o aparato sindical para se perpetuarem no poder, através de manipulações burocráticas nas assembléias, terminando as greves à revelia da categoria; fraudando as eleições sindicais.
Na questão financeira é a mesma política governamental. O que levou a categoria em assembléia de setembro/08 recusar por l40 x80 votos a prestação de contas do exercício/07. A direção em uma postura antidemocrática, convocou uma assembléia somente com parte de algumas regionais(sem mobilizar em Natal), aprovando a fraudada “prestação de contas”. Os números dos boletins financeiros são verdadeiros escândalos: serviços terceirizados levam um montante de dinheiro, as assessorias são verdadeiras empresas destinadas muitos recursos, sem ter um bom serviço prestado a categoria(jurídico e comunicação). Enfim, os dirigentes tornaram-se parasitas sindicais que se sustentam financeiramente e politicamente desse círculo vicioso de degeneração sindical, que os torna pelegos de carteirinha.
O SINDICATO QUE NOS PROPOMOS A CONSTRUIR:
Dadas as condições conjunturais adversas aos trabalhadores, um sindicato que atenda e responda as questões políticas e sindicais terá que primeiro: ter independência de classe frente aos governos e ao Estado capitalista, encaminhar a luta da classe com os métodos próprios desta: mobilização, greves, piquetes, ocupações e outros, ser solidário a luta de toda classe trabalhadora, por exemplo; apoiar outras greves, as lutas estudantis, camponesas e abrir o sindicato para toda a classe oprimida. E o segundo ponto será a democracia operária, instrumento que permitirá a livre expressão de pensamento e garantirá a igualdade ideológica em todas as instâncias deliberativas do sindicato.
Acreditamos que é possível romper com este sindicalismo fracassado e implementado pela direção do Sinte. As últimas greves do Estado e município, demonstraram que a categoria rejeita essa política e avançou na construção da consciência da Oposição à direção do Sinte, com sentimento de destituí-la. À LUTA!